Depoimento de usuários e profissionais da ACDV Colatina

Entrevista com o Presidente da ACDV
 Jhones Candido da Silva, natural de Colatina – ES, 39 anos. Pessoa com deficiência visual, graduando em Música e atualmente Presidente da ACDV em seu segundo mandato, com vigência até maio de 2027

1. A ACDV tem como missão promover inclusão e qualidade de vida para pessoas com deficiência visual. Como você avalia o impacto das ações da associação em Colatina?

Jhones:Nosso trabalho tem sido transformador. Cada curso de Braille, cada oficina de inclusão digital e cada atividade cultural ou esportiva representa um passo importante rumo à autonomia e à cidadania. A ACDV é um espaço de acolhimento e oportunidades, e em Colatina conseguimos mostrar que a deficiência visual não limita sonhos, mas abre caminhos para novas conquistas.

2. Quais projetos você considera mais marcantes durante sua gestão?

Jhones: “Os programas de reabilitação e orientação são fundamentais, pois devolvem independência às pessoas. Mas destaco também as oficinas de artesanato e empreendedorismo, realizadas em parceria com instituições como o Banco SICOOB. Essas iniciativas unem inclusão e geração de renda, fortalecendo a economia solidária e mostrando que nossos associados podem ser protagonistas de suas próprias histórias.”

3. Como as atividades esportivas e culturais contribuem para a missão da ACDV?
Jhones: “O esporte paralímpico é uma ferramenta poderosa de inclusão. Ele mostra que a deficiência não é barreira para conquistas e que todos têm potencial para superar limites. Já as atividades culturais, como desfiles e palestras, aproximam a comunidade e reforçam o respeito à diversidade. Esses momentos são fundamentais para fortalecer a autoestima e a cidadania das pessoas com deficiência visual.

4. A ACDV conta com voluntários e parceiros. Qual é a importância dessas parcerias para o crescimento da instituição?

Jhones:As parcerias são o coração da ACDV. Sem o apoio de empresas, escolas, universidades, órgãos públicos e voluntários, não conseguiríamos manter nossos projetos vivos. Cada parceiro que se une à nossa causa amplia nosso alcance e fortalece nossa missão. É graças a essa rede de solidariedade que conseguimos oferecer cursos, oficinas, eventos e atividades que transformam vidas. Até 2027, queremos ampliar ainda mais esse engajamento, porque acreditamos que a inclusão é uma responsabilidade coletiva. As parcerias nos dão força, credibilidade e condições reais de transformar a sociedade.

5. Qual é a sua visão para o futuro da ACDV?
Jhones: “Vejo a ACDV como referência em acessibilidade e inclusão no Espírito Santo. Queremos ampliar nossos projetos de capacitação, fortalecer a economia solidária e investir em novas tecnologias que facilitem a vida das pessoas com deficiência visual. Até maio de 2027, nosso objetivo é consolidar a ACDV como um espaço de transformação de vidas, onde cada associado se sinta valorizado e parte de uma comunidade que acredita na força da inclusão e das parcerias.”

29 de agosto 
Oficina Banco SICOOB
Local: Espaço de Oficinas ACDV
Atividades: artesanato, empreendedorismo e economia solidária

 Entrevista com José Augusto de Araújo Pires da Luz – Professor de Projetos da ACDV

Natural de Colatina – ES, 47 anos, Professor de Geografia da rede pública estadual e municipal de Colatina 27 anos de experiência na educação Mestre em Gestão Integrada do Território
1.Ao longo de 27 anos de experiência na educação pública em Colatina, quais mudanças mais significativas você percebeu no ensino e na relação entre escola e comunidade?

 José Augusto: A educação pública evoluiu muito em termos de acesso e inclusão. Hoje conseguimos integrar melhor os estudantes com diferentes necessidades, incluindo aqueles com deficiência visual, que contam com o apoio de instituições como a ACDV. A escola se tornou um espaço mais aberto ao diálogo com a comunidade, e isso fortalece a consciência de que a educação é um motor de transformação social. Ainda há desafios, mas percebo que estamos avançando na construção de uma sociedade mais inclusiva e participativa.” 

2. Como sua formação como mestre em Gestão Integrada do Território influencia sua prática pedagógica e sua visão sobre o papel da educação na transformação social?

 José Augusto: “A gestão integrada do território me ensinou a olhar a educação de forma ampla, conectada com cultura, meio ambiente, economia e sociedade. Isso me permite trabalhar com os alunos não apenas conteúdos acadêmicos, mas também valores de cidadania, sustentabilidade e consciência crítica. Nesse processo, a questão da deficiência visual e o trabalho da ACDV são fundamentais, pois mostram que a inclusão precisa ser parte da educação e da vida comunitária. A escola deve formar pessoas capazes de compreender e transformar o espaço em que vivem, respeitando a diversidade e valorizando cada indivíduo, independentemente de suas limitações.”

3. Projetos como Feito por Mãos que Enxergam e Mulheres Empreendedoras unem inclusão social e geração de renda. Quais resultados mais significativos esses programas trouxeram para os participantes e para a comunidade?

 José Augusto: “Esses projetos são exemplos de como a inclusão pode caminhar junto com a sustentabilidade. Ao reaproveitar resíduos sólidos e materiais descartados, conseguimos transformar o que seria lixo em arte, cultura e fonte de renda. Para os participantes com deficiência visual, o resultado é autoestima, autonomia financeira e valorização pessoal. Para a comunidade, é a prática da economia solidária e a consciência ambiental. É uma forma de mostrar que inclusão social, cuidado com o meio ambiente e geração de renda podem andar de mãos dadas, e a ACDV tem sido protagonista nesse processo.

”4. Quais são os maiores desafios enfrentados hoje pelos professores da rede pública estadual e municipal, e como você acredita que eles podem ser superados?

 José Augusto:O maior desafio é garantir condições adequadas de trabalho e valorização profissional. Muitos professores enfrentam turmas grandes, falta de recursos e sobrecarga. Além disso, precisamos avançar na formação para lidar com a diversidade, incluindo estudantes com deficiência visual. Acredito que a solução passa por políticas públicas consistentes, formação continuada e fortalecimento das parcerias entre escola, família, comunidade e instituições como a ACDV. Só assim conseguiremos oferecer uma educação de qualidade e inclusiva.”

 5. Que mensagem você gostaria de deixar para os estudantes e colegas professores sobre a importância da dedicação à educação e o impacto que ela tem na construção de uma sociedade mais justa e consciente?

 José Augusto: “A educação é a chave para transformar vidas e territórios. Aos estudantes, digo que cada esforço vale a pena, porque o conhecimento abre portas e amplia horizontes. Aos colegas professores, reforço que nossa missão vai além de ensinar conteúdos: somos formadores de cidadãos. É na sala de aula que plantamos as sementes de uma sociedade mais justa, inclusiva e sustentável. E quando trabalhamos em parceria com instituições como a ACDV, mostramos que a educação pode ser realmente transformadora, porque valoriza cada pessoa e promove a inclusão de forma concreta.”